O que uma recente pesquisa sobre consumo pode ensinar às empresas que apostam em sustentabilidade


Foto: aitoff/pixabay


O estudo mostrou no que no ranking das preferências do consumidor brasileiro, boa parte deseja seguir o caminho da sustentabilidade, mas ainda há barreiras para isso.


Entre os 10 maiores desejos apresentados ao consumidor brasileiro em pesquisa realizada pelo Instituto Akatu sobre consumo consciente, sete (7) se referem a práticas mais sustentáveis. A pesquisa “Panorama do consumo consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações”, divulgada na semana passada, foi realizada entre 9 de março e 2 de abril deste ano. Foram feitas 1.090 entrevistas em 12 regiões metropolitanas brasileiras, de Norte a Sul do país.

Na pesquisa, ao escolher entre opções do caminho da sustentabilidade e do caminho do consumismo, os participantes optaram por práticas como: estilo de vida saudável; água limpa, preservando fontes; alimentos saudáveis, frescos e nutritivos; tempo para as pessoas que gostam; deslocamento com maior rapidez, conforto, segurança e flexibilidade; redução da quantidade de lixo e redução do impacto da geração de energia.


A análise mostrou que apesar da vontade de adquirir um carro próprio ser o segundo na lista de desejos dos consumidores (especialmente os de classes com menor poder aquisitivo), os brasileiros começam a despertar para questões ligadas à sustentabilidade. Estilo de vida saudável, acesso a água limpa com preservação de fontes e acesso a alimentos saudáveis, frescos e nutritivas aparecem nos primeiros lugares nas respostas dadas por participantes de todas as classes sociais.


Nível de consciência dos consumidores mudou em seis anos


Em comparação com a última pesquisa realizada pelo Instituto, em 2012, o nível de consciência dos consumidores considerados iniciantes aumentou de 32% para 38%. Para entender melhor esse dado, é preciso saber que o Instituto Akatu utilizado o chamado Teste do Consumo Consciente (TCC), que envolve 13 comportamentos. Foi analisado o quanto algumas atitudes fazem parte da rotina dos entrevistados, além dos hábitos de compras deles.


O grau de consciência dos consumidores brasileiros é dividido nos seguintes perfis: indiferente, iniciante, engajado e consciente. A partir da avaliação dos 13 comportamentos, considera-se “indiferentes” aqueles que aderiram a até 4 comportamentos, “iniciantes” de 5 a 7, “engajados” de 8 a 10 e “conscientes” de 11 a 13. Importante ressaltar que estes 13 comportamentos foram escolhidos com base estatística por representarem ou se correlacionarem com um número enorme de outros comportamentos e por serem capazes de fazerem a segmentação dos consumidores nesses quatro perfis.

Nesse aspecto, o resultado sugere que o momento “é de recrutamento dos consumidores indiferentes para hábitos mais sustentáveis de consumo”.


Para abraçar a sustentabilidade, consumidor precisa de mais informações sobre os produtos das empresas


Foto: geralt/pixabay


A pesquisa mostrou também um dado que precisa ser levado em consideração pelas empresas, especialmente as que produzem segundo o tripé da responsabilidade social, ambiental e econômica. Do total de entrevistados, 68% afirmaram já ter ouvido falar em sustentabilidade, mas 61% não souberam dizer o que é um produto sustentável. Ou seja, será que as empresas estão comunicando corretamente os benefícios dos seus produtos e suas práticas para a sociedade como um todo?


Ainda sobre essa questão, é preciso analisar outro dado mostrado pela pesquisa do Instituto Akatu. A principal barreira para a aquisição de um produto sustentável ainda é o preço. Ao responderem sobre por que não comprou um produto ou adotou uma prática mais sustentável, a maioria respondeu que não o fez por ser mais caro.


De novo é preciso questionar: Será que o público da empresa tem informação suficiente e sabe por que ela cobra o que cobra? Em geral, o valor de um produto sustentável vai além da mercadoria em si e contempla benefícios não apenas para quem o adquire, mas para toda sociedade. Seu cliente sabe disso? E mais: a médio e longo prazo, um produto sustentável – e com vida útil maior – pode se tornar até mais barato que a opção convencional. O consumidor também precisa ter acesso a essa informação.


É preciso informar mais o consumidor sobre sustentabilidade


Foto: geralt/pixabay


Outras barreiras para a adoção de práticas sustentáveis, incluindo o consumo de produtos sustentáveis, apontadas na pesquisa sobre Consumo Consciente foram agrupadas em quatro categorias pelo Instituto Akatu. São elas: necessidade de esforço, desconfiança, necessidade de estrutura física e privação de prazeres.


Na primeira categoria, os consumidores entrevistados apontaram que a adoção de práticas sustentáveis exige esforço cognitivo, comportamental e financeiro. Percepções como “exigem muitas mudanças nos hábitos da família”, “exigem mudanças de hábitos do consumidor”, são mais caros, trabalhosos e difíceis de encontrar para comprar” foram apontadas como barreiras.

Na segunda categoria, os consumidores apontaram justificativas como “de nada adianta se empresas e governo não fazem sua parte”, “de nada adianta se meus vizinhos e outras pessoas não usam” ou “não possuem a marca tão confiável quanto a daquelas que uso hoje. Na categoria de estrutura física, as barreiras para a não adoção de práticas sustentáveis foram “requerem espaço/local para guardar ou descartar. Já na quarta categoria, os consumidores alegaram a adoção de produtos ou práticas sustentáveis significam abrir mão de produtos que proporcionam pequenos prazeres.


Diante desses dados, percebe-se como a educação para a sustentabilidade e as informações sobre a necessidade de se fazer mudanças no estilo de vida são importantes para a garantia de um ambiente mais equilibrado no futuro e para a redução dos efeitos das mudanças climáticas, por exemplo, para toda sociedade. É preciso, mais do que nunca, mostrar para o consumidor que as atitudes dele fazem parte das mudanças que todos queremos para o mundo. Como sua empresa tem colaborado com a educação para a sustentabilidade?


Para conhecer toda a pesquisa, acesse aqui. E se quiser saber mais sobre comunicação para a sustentabilidade e como sua empresa pode melhorar a comunicação relacionada a seu negócio sustentável, conte conosco!


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